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terça-feira, 30 de junho de 2020

Cheiro de papel queimado

A água ferve e a rua permanece em silêncio. Aqui dentro apenas eu, meus pensamentos e esse cheiro de papel queimado.
O desafio de hoje e traduzir, em breves linhas, aquilo que não se compreende dentro do peito. A dor, as dores, a aflição e a pressa.
Hoje, não tenho nome ou face, sou apenas o homem de feição abatida, cinza, na multidão. De longe sou invisível, pratico verdadeiras acrobacias urbanas numa triste e falha tentativa de passar batido. Não tenho parentes nem responsabilidades. Tudo o que eu tenho são histórias tristes e esse cheiro de papel queimado.
Olho para o céu e admiro a garoa querendo virar chuva. Minha boca seca, meus olhos cerrados e minha testa franzida.
Tudo isso por causa desse maldito cheiro de papel queimado.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Hoje em dia...

Olá.

Hoje em dia, meu combustível não é mais a raiva, tampouco o ódio. Eu mudei. Minha vida mudou.

Escuto Legião Urbana enquanto escrevo isso, depois de ler tantas e tantas palavras que eu mesmo escrevi, desde 2008. Praticamente 10 anos de sentimentos, traduzidos por algumas memórias e rascunhos jamais publicados. O que minha vida se tornou?

O melhor, dentre tantos piores.

O melhor que eu pude ser, o melhor que eu pude fazer, o melhor que eu poderia imaginar, com o pior que me foi dado, nos piores lugares e talvez até mesmo nas piores companhias. Não sou bom, apenas não sou o pior que poderia ser. Minha mente, hoje, já não parece tão fértil quando olho para trás, porém, parece mais consolidada: Sentimentos variáveis entre agudos e abismos se estabilizaram em ondas, apesar de amargas. Ondas que quebram em mim, e eu me encontro novamente, enquanto escrevo este texto e minha mente se abre novamente. Estou numa praia deserta, o dia está nebuloso e frio, mas é lá que minh'alma quer estar, no contexto fora de contexto, num lugar feliz que faz frio, onde tantos sorrisos são dados em períodos de férias e alguns lamentos acontecem diante de tragédias, onde a vida, a vida de verdade acontece.

Sou um pequeno mar. Não velejam em mim e não pescam, pois meus frutos são desconhecidos. Alguns podres, outros ainda nem descobertos, mas eu sou um pequeno mar. Pouco a pouco, percebo que me quebro numa praia, mas minha outra extremidade se estende até um oceano. 

Logo, já sou um oceano. Não possuo ilhas, porque soterrei aquilo que um dia foi plantado; porém, sou um ótimo retrato de fim de tarde.

Minha mente se expande mais ainda, e eu começo a imaginar como seria ter escolhido isto ou aquilo, naquele dia ou naquela semana. Me vejo em tantas realidades paralelas, em tantos locais e envolvidos em tantas situações, mas minh'alma não se aquieta, ó minh'alma. Por quê paramos?

Não sei dizer, mas o medo é como um trovão. Na minha própria imensidão, um trovão me assusta, e eu me limito. Não quero ter limites, quero ser o limite.

Ó, minh'alma, onde é que foi parar nossa vontade de crescer?

Já não sei. Tateio entre algumas teclas, mas as palavras já se foram; Agora resto eu, uma vertente do meu oceano, pensando em como seria ser terra firme.

Essa é a essência. 

Multiplicar para crescer; um pedaço de papel e uma chama no coração.

--

Rogerio Olanda

Postado ao som de Legião Urbana - Tempo Perdido

sábado, 23 de abril de 2016

The ©lown

O palhaço.

Eu, sempre eu.

Eu e meu guardanapo. Eu e meu guarda-chuvas. Eu e meu girassol, no meu terno colorido, de sapatos exagerados e sorriso bobo.

Eu, sempre eu.

Que enxugo suas lágrimas. Que te protejo da chuva, que te presenteio, sempre bem vestido pra você, tentando te fazer sorrir, mesmo que isso custe minha dignidade.

Eu.

O palhaço.

Eu, que me preocupo demais e acabo fazendo planos para o futuro, quando tudo que você realmente precisa, é alguém que não vai te tratar bem, mas que serve para aquela hora.

Eu, sempre eu.

Que chora quando você chora, mas que chora ainda mais, quando você sorri. Porque seu sorriso pertence a outros sorrisos, nunca a este palhaço.

Eu e meu guardanapo amarelado, úmido. Eu e meu guarda-chuvas furado, enferrujado. Eu e meu girassol, caído, quase morto, no meu terno preto e branco, de sapatos furados e sorriso amarelado.

Eu, sempre eu.

Eu.

O palhaço.

No espetáculo da vida, só cumpro com meu papel.

De palhaço.

Rogerio Olanda. Débil e torpe. Cinza. Anulado.

Tão eu.

Tão... Meu. Mas nunca meu.

Só eu.

Eu.

E só.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Broken Home

Chega uma hora que nada mais importa.

E o nosso coração fica frio. Pequeno. Triste. Cheio de dúvidas.

Uma palavra sua pode mudar o meu dia.  Um sorriso seu vale a vida inteira. E é uma pena que uma atitude sua acabe com a minha vida.

Jesus, me ensina a ter mansidão. Me faz teu discípulo pelos meus erros, não pela minha santidade.

Me socorre nessa hora Pai.

Preciso se Ti.

Sê conosco Pai, no íntimo de nkssos corações. No brilho de nossas memórias. No limite da nossa existência.

Só a Tua providência me basta hoje.

Em nome de Jesus, me fiz Teu filho, através da salvação. A Tua Graça me consola.

Amém.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Blindspot

Hoje eu não quero sofrer. Só por hoje, não vou dar o braço a torcer, e vou ser um pouquinho cabeça dura. Só por hoje, não vou amargar com os problemas, mas sim aplicar as soluções.

Tá ruim? Melhora. Tá sofrendo? Perdoa. Tá doendo? Remedia.

Fragmentos de uma mente jovem que há muito se foi. Engolida por péssimas decisões, e cicatrizada com experiências.

"De que adiantam os olhos, se a cegueira é quem te guia?"

Amém.

Rogerio Olanda

sábado, 24 de outubro de 2015

Null Love

Você me deixou, então eu me encontrei.

Você me destruiu, então eu me reconstruí.

Você me abalou, então eu me superei.

Você tirou meu chão, então eu me firmei.

Você acabou com a minha vida, então eu renasci.

Você tirou tudo que eu tinha, então eu vivi sem nada.

Você me deixou um vazio, então eu me enchi de amor próprio.

Você abriu meu peito, então eu o fechei para o mundo.

Você se foi. Então eu ..

..Eu fiquei.

Rogerio Olanda
23:52 Quarto

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Endless Feelings

"Procura-se um par de lábios. Mas não qualquer par de lábios, um par de lábios tenros que venha acompanhado de um grande coração e bons gestos. Um par de lábios que seja compreensivo, amável e possua um sorriso ridiculamente acolhedor. Este par de lábios também precisa conhecer as dores do próximo, de modo a tornar suas próprias, as dele. Além disso, este par de lábios, sendo um superior e um inferior, deve ter uma paixão maior do que o mundo, e uma vontade assustadoramente corajosa de querer mudá-lo. Paga-se bem, com afagos preciosos e com um amor sincero, que parte da alma. Estamos localizados exatamente em todos os lugares, com horário entre hoje e pra sempre. Candidatas serão desclassificadas em caso de morosidade e falta de desejo."

Rogerio Olanda