A água ferve e a rua permanece em silêncio. Aqui dentro apenas eu, meus pensamentos e esse cheiro de papel queimado.
O desafio de hoje e traduzir, em breves linhas, aquilo que não se compreende dentro do peito. A dor, as dores, a aflição e a pressa.
Hoje, não tenho nome ou face, sou apenas o homem de feição abatida, cinza, na multidão. De longe sou invisível, pratico verdadeiras acrobacias urbanas numa triste e falha tentativa de passar batido. Não tenho parentes nem responsabilidades. Tudo o que eu tenho são histórias tristes e esse cheiro de papel queimado.
Olho para o céu e admiro a garoa querendo virar chuva. Minha boca seca, meus olhos cerrados e minha testa franzida.
Tudo isso por causa desse maldito cheiro de papel queimado.
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terça-feira, 30 de junho de 2020
Cheiro de papel queimado
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014
A Chuva
A chuva. A chuva e eu. O que mais posso dizer? Sou seu refém. Quando chove, me sinto estranhamente conformado pelo som de suas infinitas gotas colidindo com telhas, asfalto, janelas e veículos (principalmente em movimento).
Me tranco em pensamentos, espio através da alma e transcedo de tudo que é material. Minha jornada parece não ter fim, assim como a chuva. Sua irregularidade e falta de padrão são admiráveis, e um pensamento me ocorre, como um trovão na escuridão:
Não estou sozinho. Nunca estive, e nunca me senti. Subitamente, percebo que a vida é e sempre será uma montanha-russa insegura e supervalorizada. Cabe a nós aproveitar o passeio, observar a paisagem e não se deixar levar pelos altos e baixos do caminho.
O relógio marca 19:19. Minha vida. Minhas batalhas.
Rogerio Olanda.
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