domingo, 9 de fevereiro de 2025

Mania

Tenho mania. Uma dessas, que o pessoal chama de "chata".


Tenho mania de procurar constantemente o que é melhor pra mim. Um baita absurdo.


Imagine só você, a audácia deste cidadão que vos escreve. Não consegue passar X período de tempo no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa, porque tem o risco de enlouquecer, medicamente comprovado.


Deixando o laudo de lado (repita três vezes, o laudo de lado, o laudo de lado, o laudo de lado), eu tenho a capacidade de estar mais próximo da felicidade em um ambiente que precisa de ajuda, do que em um ambiente bom em que me torno irrelevante. Egocentrismo? Narcisismo? Pode até ser, não deixaria o laudo de lado (contém ironia).


Uma das minhas principais características, uma que você poderia responder com certa firmeza à pergunta "Quem é Rogério Olanda", ou, "O que faz Rogério Olanda ser Rogério Olanda", é que eu não sossego. Pedi ajuda para o ChatGPT, e minha mania tem dez potenciais adjetivos:

  1. Inquieto
  2. Ansioso
  3. Agitado
  4. Impaciente
  5. Energético
  6. Volúvel
  7. Tenso
  8. Preocupado
  9. Acelerado
  10. Intranquilo.


Esta lista de dez potenciais adjetivos me deixou com dez dúvidas:

  1. Será que sou apenas mais uma criança mimada?
  2. Onde está o coração daqueles que amo?
  3. Minha relevância é irrelevante?
  4. Minha irrelevância me torna relevante?
  5. Ninguém está sofrendo?
  6. Ninguém está incomodado?
  7. Ninguém tem coragem de falar nada?
  8. Só eu vou me mexer?
  9. Será que o problema sou eu?
  10. Será que, no final das contas, fui um filho amado?
  11. ..


Algumas destas perguntas parecem ser feitas apenas numa situação "apocalíptica", dessas que ninguém faz. Perguntas que parecem buscar perfeição daqueles que são indagados por ela, mas, como ficam aqueles que fazem as perguntas? 


A perfeição é uma construção constante, e não um estágio ou objetivo final 


Minha característica é que eu não sossego, e essa mania chata tirou muita gente da minha vida. À beira dos meus trinta e três anos (27/02/1992), me faltam palavras para descrever o que é a vida. Não tenho a pretensão de citar aqui Freud ou Nietzsche, mas a única conclusão que chego, hoje, é que, de fato, as nossas manias nos movem.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Sem Tempo

 Quanto mais eu vivo, menos eu quero viver. Quanto mais eu ganho de experiência, mais sinto que estou perdendo.

 

A vida é injusta, é uma sucessão de canalhices orquestradas por gente que não está nem ai pra mim ou pra você. É um mar de merda, e aprender a navegar sem se sujar, cansa.

 

Me cansou.

 

Eu não aguento mais. Eu preciso de um alivio, de um refúgio, de um resgate. Eu preciso ser resgatado. O problema é que nesse mar de bosta, não existe nenhum herói. Ninguém vai vir te buscar quando você se machucar, e ninguém vai aparecer magicamente com uma solução. Tudo depende de você. De mim. De nós.

 

Tudo.

 

Eu não quero mais ser uma criança chorona, mas ninguém me ensinou a ser um adulto forte. Meus exemplos são falhos e eu os reproduzo com primor, especialmente aqueles que eu mais quero fugir.

 

Eu quero fugir. De tudo. De todos.

 

Minha cabeça é o pior lugar para se estar, pintei minhas piores memórias na sala de estar e joguei a chave fora. As janelas estão enegrecidas com a fumaça que sai do chão, e eu me perco em mim mesmo. Tudo passa.

 

Tudo passa, e, ao mesmo tempo, tudo fica. As dores. Os cortes. As cicatrizes.

 

O medo.

 

Nem ouso pisar no meu próprio quarto. É ali que a tristeza habita em mim, deitada na cama, com olhos fundos, gigantescos, como uma aranha. Suas vestes rasgadas, sua loucura em poucos tufos de cabelo e seu murmúrio, incompreensível, me afastam ao mesmo tempo que me chamam pra perto.

 

Eu, de fato, não aguento mais.

 

Eu sei onde escondi a chave. Eu sei onde está a fechadura.

 

Só não sei onde está minha força. Essa, me foi subtraída.

 

Sumiu. Será que ela era limitada? Será que usei toda minha força em coisas que não me trouxeram nada, além de dor?

 

Me resta trabalhar. Trabalhar e confiar. Em quê e no quê, sinceramente, não sei mais dizer.

 

Só sei que eu sigo aqui.

 

Triste.

 

Desesperado.

 

Perdido.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Boas perguntas e a teoria do sentido da vida

 O que vem depois da morte?

 

Boa pergunta. Eu tenho uma teoria.

 

Antes de tudo, éramos algo. Não sei descrever exatamente, mas éramos. Havia a consciência coletiva e um propósito, o qual desconheço. Não tínhamos nossa forma física, mas algo etéreo, existindo em um lugar que não precisa de limites físicos para existir. Lá, éramos uma grande multidão, em um só coro, enquanto consciência coletiva, em prol deste objetivo comum que não sei identificar. Tempo, neste lugar, também é insignificante: Não existem dias, horas ou minutos, apenas a existência (individual e coletiva). Em algum momento, fomos designados a uma escolha: A escolha da nossa vida.

 

Gosto de pensar que, antes do nosso nascimento, houve uma grande assembleia e nos foi dado o livre arbítrio de sermos como quisermos, porém, com todas as consequências sabidas. É como se soubéssemos exatamente todas as possibilidades daquele conjunto de escolhas sobre a pessoa, índole e caráter, e como isso funcionaria durante nosso período em vida. É aqui eu me perco em pensamentos, é neste momento em que algo no meu peito diz que encontramos todas as pessoas de nossas vidas e como vamos nos relacionar com elas, também embasados nas escolhas individuais: Pais, irmãos, cônjuges, enfim, todos os relacionamentos de nossas vidas, e tudo está conectado. Por causa da nossa escolha em ser A, B e C, teremos X, Y e Z como parentes, pois as escolhas destas pessoas também as colocaram nessas posições, e vice-versa, assim como pessoas que vamos encontrar ao longo de nossas vidas, e todos estes encontros possuem um motivo para acontecer.

 

E é assim que nascemos. Com um propósito, mas sem clareza. Um ser relacional, que precisa de outro para nascer, sobreviver e poder fazer as suas escolhas, em vida. Dentro de tudo que já foi sabido anteriormente.

 

Eu tenho plena convicção de que todos coexistimos e que tudo que fazemos, importa. Quando falamos algo, quando fazemos algo que foge de nossa mente, estamos interferindo na ordem das coisas, portanto, o “efeito borboleta” se faz real.

 

“Mas tem gente que escolhe ser ruim?”

 

Sim. O tempo todo.

 

“Se fosse assim, todo mundo ia querer ser milionário e belo”

 

Concordo. Mas essa afirmação vem da nossa consciência atual, não da nossa consciência coletiva, que determinou tudo que somos, podemos ser e como seremos à partir de cada decisão.

 

“Então quando a gente morrer, o que acontece?”

 

Boa pergunta. Eu tenho uma teoria.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

A primeira de 2024

Não sei quanto tempo ainda tenho, ou se ainda há tempo de resolver tudo que precisa ser resolvido.


Quando tudo vai ficar fácil? Qual é o limite da dor?


Sentir já não sinto mais, só existo. Aliás, não existo. Sobreviver nem sempre é viver.


Um desabafo, por favor. Vamos conversar sobre as dores da vida, talvez a gente se encontre em alguma curva de rio ou fundo de poço.


Garçom, tem aquele destilado que vicia e corroe por dentro? Sirva duas doses, por favor. Uma pra mim e outra para a pessoa que eu me tornei.


Me perdoe a interrupção. Continue, por favor. Lamente suas dores sobre meus ouvidos, vou me atentar aos seus trejeitos enquanto presto atenção em cada palavra que sai da sua boca.


Até que esse veneno me vença. Até que eu perca a luta.


Garçom, fecha a conta e passa a régua. O bar já fechou e eu ainda estou aqui.


Sozinho.


Eu e a pessoa que me tornei.

domingo, 10 de dezembro de 2023

O frio, a fome, o medo e a lição de vida

De tudo que fazemos, de tudo que falamos, de tudo que escolhemos e de tudo que omitimos, um pedacinho de nós fica pra trás. Estranho mesmo seria viver 30 anos do mesmo jeito. Não dos 0 aos 30, nem dos 10 aos 40, mas talvez entre os 25 e 55. Esse intervalo, esse maldito intervalo, é onde o coração escolhe se vai bater por um rosto ou por todos, por uma razão ou alguma. É quando temos um mero relance da vida e imaginamos que somos melhores que todos os demais que ou já passaram pelos nossos anos de vida, ou sequer chegaram lá ainda. Somos todos cheios de si.

O problema de ser cheio de si, mon coeur,  é que dentro de nós não temos coisas bonitas. Não temos sonhos. Sabe-se lá como, um dia, sequer vão provar que uma alma, nós temos. O que sabemos, cientificamente, é que dentro de nós temos uma mistura de vísceras, órgãos, gordura, água e merda. Muita, merda. Não somos belos, mas sim, o que fazemos nos torna belos.

Obviamente que a beleza visual é muito vaga, porém, o que é belo aos olhos comuns costuma possuir certa "unanimidade": Cores, formas, sabores, odores e desejos. Sim, o desejo tona tudo belo, oras. De que valeria o título de miss universo, se não para ser o desejo de homens e mulheres querendo ser como você? O desejo de um almoço específico, quando se está faminto, torna aquela experiência tão comum, de comer, em algo belo. Pessoas tornam obras cênicas belas, tal qual tecidos tornam costuras em belas peças, e o desejo de marca X ou Y faz seu preço subir. A raridade do ouro, que o torna tão precioso, tem certa beleza filosófica, uma vez que se imagina que o ouro jamais se tornará de uso corriqueiro do homem e mulher comuns. Enfim, a beleza (À beleza).

Diante de tudo isso, o que é realmente belo aos seus olhos? Quais belezas você tem refletido de si para o mundo? Suas palavras aos corações atentos que te conhecem tornam qualquer conversa numa verdadeira lição de vida, tamanho desejo de se compartilhar algo especial com quem tanto se ama.

Eu realmente deveria estar dormindo, mas sinto que a vida quer algo de mim hoje. Algo especial, algo belo, que ela deseja. Mas, o quê? Como saber o que o Universo deseja de belo desta pobre alma? Meu brilho é tão ínfimo e limitado diante da grandeza do Universo, mas nós somos escolhidos, diariamente, para repassar a nossa beleza, tão desejada pelo Universo. Não, você não contagia o Universo quando está num trabalho comum das 09:00 às 18:30, mas todos que você tocar, conviver ou simplesmente conhecer, podem ser contagiados pela sua beleza, esta mesma que o Universo anseia. Somos luz, brilhamos, e infelizmente algumas pessoas ainda escolhem o caminho da dor, solidão, raiva e coisas às quais nem darei lugar para aparecerem neste texto.

Entre uma partida e outra, meu pensamento se desfia com singela delicadeza quando penso:

"Se todas as palavras possíveis já foram escritas, então, é possível saber tudo que vai acontecer, basta juntar todas as palavras em todas as combinações. Estas combinações resultarão em frases, e estas frases, em coisas que vão acontecer na nossa vida, ou que já aconteceram. É possível prever o futuro desta forma? Sim e não. Sim, pois todas as combinações já foram escritas, porém, não, pois não é possível se escrever sobre o que ainda irá acontecer, pela pura simplicidade de que nosso livre arbítrio é, verdadeiramente, o que nos diferencia dos animais.

Perdi a mão.

O pé.

A mente.

A alma? Não... A alma, não.

Jamais.