domingo, 13 de julho de 2014
Todo o meu amor
Todo o meu amor não basta. Todo o meu amor é do tamanho do mundo, e um pouco mais. Todo o meu amor é errado, sujo e feio. Todo o meu amor ultrapassa os limites da razão, porque todo o meu amor é insano. O meu amor não se acha em qualquer esquina. Todo o meu amor é simples e gigante, pois todo o meu amor é diferente.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Talvez
Talvez eu tenha me cansado de tudo. Tenha caído na realidade, novamente, para enxergar a minha realidade, por pior que ela possa ser. Tudo está nos olhos de quem vê, e isso é o que me mantém forte. Me vejo no espelho, sobreo, de cara limpa, e talvez eu tenha me cansado. Mesmo que só por esta noite, porque amanhã é um novo dia, graças a Deus. Vejo tantas novidades que não me surpreendem, vejo belíssimas paisagens que não me saltam os olhos, e isso tudo é problema meu.
Agora é a hora de levantar, meu amigo. Levante-se, enfrente o sol como um homem, aceite suas falhas e lute buscando a perfeição. A ponta da minha lança e os hematomas de meu corpo serão os coadjuvantes dessa epopéia que minha vida se tornou. Quem assiste de longe, ri e não acredita, mas passa a torcer por mim após alguns esforços inacreditáveis.
Devo persistir.
Por quem mais importa.
Por mim.
sábado, 14 de junho de 2014
Flores (begônias vermelhas)
Cansei.
Mais uma vez, as flores de meu jardim não bastaram. Procurei, dentre as melhores, aquelas que representam meus sentimentos (ao menos os que eu acho que representam): as delicadas, inocentes, doces, meigas e perfeitas begônias vermelhas. Aquelas que traduziriam, em forma de gesto, meu carinho e vontade de fazer a diferença, porém, me peguei novamente entre pensamentos, tentando entender seus atos. Eu sei que não deveria, mas sou assim. Me corto se você quer ver sangue, me faço de palhaço se você quer rir, me faço de entendido se você quer respostas e me sacrifico se você quer sacrifícios. Minha natureza é assim: simples, direta e exagerada.
Uma coisa eu já entendi: sou um tolo, pois, novamente, tentei plantar flores de verão em meu terreno invernal. Infelizmente, não estou (nem cheguei) em minha primavera, portanto, me basta caminhar pelos bosques da vida e admirar os jardins alheios. Observo, atentamente, os jardineiros que tem a sorte de semear e cultivar belas flores. Suas falhas são o que mais me interessam, pois sempre aprendi com os maus exemplos. Vejo onde pecam, e agradeço as lições que aprendo, para nunca repiti-las.
Begônias vermelhas. Para quem eu gosto, para quem eu quero. Entrego flores de verão em meu inverno.
Begônias vermelhas.
Begônias vermelhas.
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Rogerio Olanda
sábado, 10 de maio de 2014
Sábado
Nada. Nada tenho, nada sou. Um saco vazio, com um punhado de dores e angústias. Mais uma rodada, por favor.
Questiono a Deus. Penso que dessa vez Ele errou, pois não tenho a força necessária para tocar essa vida, enfrentar esses obstáculos. Sou fraco. Sou burro. Deus, só Você sabe o que realmente se passa aqui dentro, o que eu penso e o que eu fiz. O Senhor é quem me acompanha, e sei que esse momento é passageiro, mas parece que tudo foi demais para mim. Cai no desespero, me deixei levar, e cá estou, deitado neste colchão fodido, ouvindo a chuva que começa a cair e lembrando de todos os tropeços que já tive na vida. Sempre superei obstáculos, sempre me adaptei a todas as situações que me foram impostas. Desviei de todas as balas que me foram alvejadas, e quando finalmente me encontro em abrigo, percebo que fui gravemente ferido. No peito. Já sem munição, ouço a cavalaria chegando. Artilharia pesada, e é o meu nome que eles gritam. Já sinto um frio na barriga, olho para os céus e oro pela chuva. Ela não vem. Os portões são arrebentados, e a procura começa. Me rendo, numa tentativa de viver, ou corro, mais uma vez, pra outra cidade? O tempo passa rápido, e meu suor atrapalha os pensamentos.
E o final dessa história, meus amigos, nem eu sei, pois ela ainda não foi escrita.
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Rogerio Olanda
terça-feira, 6 de maio de 2014
Um pouco de mim
Sórdido, inocente, débil, puro, frágil, resistente, macabro, irônico, imbecil e inteligente.
Estranho, misterioso, limpo e sorridente.
Feliz, infeliz, apressado e tranquilo.
Muito, pouco, quase nada.
Tudo isso, e mais um bocado de palavrões.
Sofrido, angustiado, burro, esperto, ligeiro e lento.
Fundamentado, simples, cru e equisito.
Querido, arrogante, brilhante e obscuro.
Engraçado, tolerante, ofensivo e carente.
Tímido, extravagante, frustrado e romântico.
O centro das atenções que você não quer ver, mas acaba se deixando levar pela curiosidade.
Mais um pouco de mim. Mas só um pouco!
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Rogerio Olanda
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